Fonte: Brasil de Fato
A política de tarifa zero agora faz parte das prioridades do governo federal, segundo o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP). Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o parlamentar afirmou que, “pela primeira vez, o governo federal, o presidente da República, colocou na sua agenda política essa questão da necessidade de remodelar o funcionamento do transporte coletivo”. O petista é autor do livro Tarifa Zero: Embarque Nessa Ideia, publicado pela editora Alameda e lançado no último sábado (29).
O deputado explica que a mudança de postura do governo ocorre num cenário em que o modelo atual de financiamento está esgotado. “O sistema de transportes entrou em colapso. Essa engrenagem, de fazer com que o usuário pague a sua passagem, faliu”, afirmou. Ele lembra que o Brasil já lidera o ranking mundial de municípios com tarifa zero. “Nós já temos 138 cidades no Brasil [que adotaram a medida], é o país que mais tem tarifa zero no mundo”, celebrou.
Segundo Tatto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou estudos ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pediu que o parlamentar apresentasse propostas aplicáveis a cidades grandes e médias. A mudança passa, sobretudo, pela revisão dos contratos com as empresas de ônibus. “A tarifa zero não é uma bolsa para empresário”, alertou. Para Tatto, é essencial que a remuneração deixe de ser por passageiro e passe a ser por quilômetro rodado e por custo real da operação. “A lógica da empresa precisa que o ônibus esteja sempre lotado. Isso não tem como dar certo”, criticou.
Com as eleições de 2026 no horizonte, Tatto prevê que o tema ganhará ainda mais destaque. “Vai ser inevitável esse debate”, avaliou, defendendo que a esquerda retome a liderança histórica dessa pauta. “Se a esquerda não tomar a frente desse debate, pode ser sequestrado pela direita”, alertou. Para ele, o caminho deveria seguir o exemplo do Sistema Único de Saúde (SUS). “É universal. Nós não estamos falando de tarifa zero para o povo, estamos falando de algo que é pra todos”, explicou.



